Quando alguém pergunta para a IA, ela encontra a sua marca?

Assessoria de imprensa e inteligência artificial na construção da reputação de marcas

Há alguns anos, quando queríamos conhecer uma empresa, contratar um serviço ou escolher um produto, o caminho era relativamente previsível. A gente perguntava para alguém, fazia uma busca no Google, entrava no site da empresa, olhava as redes sociais, pesquisava avaliações e procurava referências que ajudassem a entender se aquela marca era realmente confiável. Esse comportamento não desapareceu, mas está mudando. Cada vez mais, as pessoas usam ferramentas de inteligência artificial também para pesquisar empresas, produtos, serviços e profissionais. Em vez de abrir vários links para chegar a uma conclusão, é possível perguntar quais empresas são referência em determinado segmento ou qual produto atende melhor a uma necessidade. Também podemos reunir informações encontradas em diferentes lugares e pedir para a IA comparar alternativas, organizar vantagens e desvantagens e ajudar na decisão. Para quem trabalha com comunicação, como eu há mais de 20 anos, essa mudança no comportamento do consumidor me parece muito mais relevante do que discutir apenas se a IA consegue escrever um release ou produzir um post. Estamos falando de uma transformação na maneira como as pessoas buscam informação, comparam alternativas e constroem confiança antes de tomar uma decisão. E isso traz uma pergunta importante para as empresas: quando alguém pergunta sobre o meu mercado para uma inteligência artificial, o que ela encontra sobre a minha marca? O que você diz sobre a sua marca não é tudo Uma empresa pode afirmar em seu site e nas redes sociais que é inovadora, especialista ou referência em determinado segmento. Isso faz parte da comunicação. Mas uma coisa é o que uma marca diz sobre si mesma. Outra é o que outras fontes dizem sobre ela. É justamente aí que a assessoria de imprensa ganha uma nova dimensão. Quando uma empresa aparece em uma reportagem, quando seu executivo é entrevistado como especialista ou quando uma pesquisa desenvolvida por ela vira notícia, não conquista apenas visibilidade. Ela cria referências públicas sobre quem é, o que faz e em quais assuntos possui autoridade. Isso sempre teve valor para a reputação de uma marca. A diferença é que agora essas informações também fazem parte de um ambiente em que mecanismos de busca e sistemas de inteligência artificial são cada vez mais utilizados para pesquisar e tomar decisões. Assessoria de imprensa faz uma empresa aparecer na IA? Não necessariamente. E essa ressalva é importante porque praticamente tudo relacionado à inteligência artificial hoje vem acompanhado de alguma promessa grandiosa. Nenhuma assessoria séria pode garantir que uma empresa será recomendada pelo ChatGPT, Gemini, Perplexity ou qualquer outra ferramenta. O que podemos fazer é construir uma presença digital mais consistente, com informações claras e referências sobre a empresa que não tenham sido produzidas apenas por ela mesma. Não se trata de “enganar o algoritmo” para aparecer em uma resposta. Trata-se de construir reputação para que, quando alguém procurar informações sobre aquela empresa, encontre mais do que seu próprio discurso institucional. A tecnologia mudou. A confiança continua sendo fundamental. Durante muitos anos trabalhando com assessoria de imprensa, ouvi inúmeras versões da frase: “quero sair em tal veículo”. Isso continua fazendo sentido. A diferença é que uma boa matéria hoje não termina quando deixa a página principal de um portal ou para de circular nas redes sociais. Ela permanece publicada e passa a fazer parte do histórico e das referências digitais daquela empresa. Talvez por isso também precisemos ampliar a maneira como enxergamos os resultados da assessoria de imprensa. Uma matéria continua trazendo visibilidade e credibilidade, mas também ajuda a construir a presença pública que uma marca deixa disponível na internet. Podemos chegar a uma empresa por indicação de um amigo, por uma busca no Google, por uma reportagem ou por uma resposta de uma inteligência artificial. O caminho está mudando, mas a pergunta que fazemos antes de escolher continua praticamente a mesma: posso confiar nessa marca? E confiança não se fabrica com um prompt. É construída ao longo do tempo.